sexta-feira, 5 de junho de 2009

MAYÃ, UMA IDÉIA DE PAZ

MAYÃ, UMA IDÉIA DE PAZ - Oswaldo Montenegro e Raíque Mackáu



Acontece bem agora o que agora eu lhe conto
Se bem que o lugar e a hora não interessam, no entanto
Somente para aquele homem, que dizia a todo instante
Que o lugar onde se mora e o tempo são importantes

Era um homem descontente, tenso, com rugas na fronte
Vivia o tempo de ontem e via uma passa­da à frente
Sonhava um novo horizonte, com outro tipo de gente
E deitava sobre a ponte dormindo manemolente

Sentia‑se um gavião, mas com asas de urubu
Uma espécie de "galant” com ares de jeca tatu
Cochilando preguiçoso, mas querendo ganhar braços
Ficava ainda mais nervoso com esse eterno descompasso
Eh, sonolência! Eh, mormaço!

Um certo dia acordou com uma luz em sua cara
Será que a sombra acabara e a água fresca também?
O anjo da anunciação mandou fa­zer as bagagens
Mas quem levaria na viagem? Pensou um pouco... ninguém

E rodou tantas cidades que chegou à conclusão
Que não te­ria paixão por mais cidade nenhuma
E pensou, ali consigo, que essa ou aquela estrada
Não seria nada, nada, nada mais que só mais uma

Mas chegando a um vilarejo, deparou‑se numa praça
Com a luz, a bele­za e a graça de uma formosa mulher
Ela chorava em silêncio e entre cuidadoso e ousado
Foi caminhando ao seu lado e seja o que Deus quiser

Sem dizer uma palavra. Valia ouro, a palavra
Não é nada, não é nada, não seria só mais uma
Já não sentia vontade de interromper o silêncio
Toda cautela e prudência seria pouca, ou nenhuma

Ela cho­rando, ele ali, passadas vivas na noite
Foi‑se o tempo. Tudo foi‑se com ele, naquelas horas
E ao chegar na casa dela, previu a separação
Disparou‑lhe o coração, mas teria que ir embora

Pôs o chapéu na cabe­ça, se agasalhou num pulôver
Sem saber o que houve, sem ouvir a sua voz
Queria ao menos um adeus mas depois caiu em si
Que qualquer palavra ali seria muito pros dois

E foi abrindo caminho por entre as sombras e o frio
Quando, de repente, um "psiu" tomou de impacto a praça
Ela entrou e a porta aberta era para ele um convite
Ele achou tudo bonito e deu graças a Deus, graças...

Quando acordou de manhã, ela já havia saído
E para onde tinha ido, a essas alturas não importa
Encontrou ali na mesa frutas, café, pão e leite
Além de um simples bilhete: “Quando sair bata a porta.”

O mistério e a beleza abraçaram‑se num só
E a partir daquele instante o mundo ficou maior
Só aí teve a certeza, a certeza sem medi­da
Que mais que nunca na vida, seguiria a vida só

De repente teve medo quando viu o céu cinzento
Era a tempestade e o vento vindo em sua direção
E aí pensou um bocado, até que avistou uma casa
Coisa de contos de fada, residência de uma anciã

Que temporal esquisito, que natureza engraçada
Somente sobre esta casa, somente ali, não chovia
Uma velha contava a história que aprendeu em sua infância
Entre os homens e as crianças, mulheres, ca­bras e crias

Ninguém sabe de onde veio essa história tão antiga
Era mais um dos enigmas que a anciã carregava
E com as pessoas em volta, de semblante atento e sério
Com mágica e mistério, essa velha então contava:

“Num tempo muito distante
Em terras mais longe ainda
Falando uma outra língua
De origem ainda mais remota
Existiu um certo povo
Pessoas como vocês
Mas que conheciam as leis
De voar que nem gaivotas
Voavam pela leveza
De alma e sabedoria
Sabiam que conheciam
As for­ças da natureza
Por isso não tinham ódio
E muito menos doenças
Nem perdão e nem ofensa
Só paz e delicadeza
Conheciam os elementos
As correntes e seus segredos
E isso provocava medo
Nos outros povos vizinhos
É difícil conviver
Com o tempo e a coerência
A paixão e a inocência
A intimidade e o carinho
Um dia um adolescente
Voando por sobre a tribo
Foi posto em mira
E abatido mortalmente
Em pleno vôo
Foram trovões ou foi tiro?
Daí ninguém se entendeu
Nem sabe o que aconteceu
Mas curvaram‑se de dor
Encontraram a poucos metros
Inertes e desesperados
O menino baleado
O peito sujo de terra
E se sentiram indefesos
E alvo de toda inveja
Pois não tinham as estratégias
E as engrenagens da guerra
Com o tempo virou rotina
A matança desses homens
Já não se sabiam os no­mes
Dos que morriam nos ares
Agarravam as mães seus filhos
E os fi­lhos pediam às mães
Escondiam‑se os cães
E o medo tomou os lugares
Mas mesmo assim
Cada mãe continuava a ensinar
A grandeza de voar
E a interpretar os livros
Mas todo dia um menino caía
Que nem cão sem dono
E as mães ninavam seu sono
Como se estivessem vivos
Um por um, iam‑se todos
Como gaivotas feridas
E em nome de tan­tas vidas
Achariam uma criança
A que sobreviveria
Sem mostrar saber voar
E que atravessasse o mar
Para escapulir da matança
Embarcariam a criança
E isso ainda essa noite
Teria que ser à noite
No mais tardar de manhã
O conselho de anciãos
Comunicou à Realeza
Que escolhe­riam a princesa
E que se chamava Mayã
E hoje ela vive entre os homens
Mas jamais se revelou
A não ser que por amor
Um dia possa entregar
De peito aberto o segredo
A um outro povo encantado
Que já esteja preparado
Pro segredo de voar”


A velha acabou a história e fez‑se um vazio imenso
Todos ali, em silêncio. Todos, os olhos culpados
Onde estaria Mayã, se no tempo nos perdemos
E amanhã esqueceremos e em outros contos de fadas?

O viajante gostou e pensou:
“É bom que aprendo mais histórias e lendas
E conto a outros viajantes”
Pegou de novo a estrada, relembrando só, con­sigo

Mas notou que tinha ouvido essa mesma história antes
“Já sei, não era história! Conhecia aquela moça
De olhos negros e doces que lhe acolhera em sua casa
Voltaria atrás de novo e falaria de paz
Seria um viajante a mais, mas um viajante com asas”

Se a história de Mayã é lenda de uma anciã
Ou se na verdade, então, era mesmo aquela moça
Não saberemos tão cedo essa real conclu­são
Porque está nas mãos do tempo e nisso o tempo tem força

Mas tal­vez Mayã esteja sentada bem ao seu lado
Soluçando ali, calada, com os olhos tristes a moça
E você nem se aperceba só por razões de momento
Porque isso exige tempo e nisso o tempo tem força

E quem sabe a guer­ra, um dia, enterre mísseis, canhões
Soldados retornem às mães, pátrias desses filhos teus
E então nós encontraríamos, voando os céus de Teerã
A figura de Mayã, sorrindo e nos dando adeus.


"Mayã, os olhos da cor lilás
A grande paixão do rei
Há mais de um milênio atrás
Messalina Mayã
Andava só por andar
Andava por onde andei
Os olhos de velha e o ar de menina
Mayã andava só por andar
Andava por onde andei
Só pra recolher no ar o que deixei
Teu povo todo já morreu
Asas sangrando no chão
Foi inveja"

Um dia vou conseguir escrever assim, um dia!!!
Vida que segue...

domingo, 26 de abril de 2009

Uma de Leminski

"A poesia é um raro da linguagem
Ainda que reles
É um vampiro que se alimenta de olhares."

Vida que segue...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Resposta ao cadastro da Tine

Nos conhecemos numa tarde de primavera, eu ceifava o trigo como o simples camponês que sou, enquanto você, filha do senhor feudal, cavalgava nua pela plantação. Eu te observava a distância. Seus longos cabelos negros, em contraste com a brancura de sua pele, resplandeciam sob a luz do sol. Eu ouvia seu gargalhar quase insano e o seu cantarolar juvenil. Segui-te até a beira do riacho onde você sempre parava para se refrescar, assisti você dançar à sombra de um ipê, que agradecido, derramava uma cascata de flores roxas sobre teu corpo nu e neste tapete roxo você adormeceu. Então eu corri até minha tapera, peguei meu batedor de ovos, tirei toda as minhas roupas, coloquei minha cueca na cabeça e sai correndo atrás de você! Foi Show!!! Não se lembra mais?!
P.s.: Como não sei se isto vai ficar “livel” no teu blog, vou postar no meu! Ahahahaha

Beijos... ou melhor... vida que segue...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Passarinho

Há pouco um João de Barro foi atropelado na frente de minha casa.
Agora somente os carros passam voando.
Vida que segue...

Moda, Modelitos e Modelos

Sempre que vou errar pelas ruas da cidade (e tenho errado muito ultimamente, dia desses fiquei meia hora andando em torno da gazeta do povo procurando a receita estadual, depois de ter vasculhado toda a área resolvi engolir meu orgulho masculino e perguntar onde ficava o dito endereço, o policial só apontou o dedo, eu estava a menos de 50 metros do prédio, se não tivesse perguntado chegaria lá do mesmo jeito! **Nota mental, nunca mais pedir informações na rua!) lembro do conselho de minha amiga Tammy: - Cuidado com as calças brancas! Não penso que tenho que tomar cuidado (prefiro tomar um chope bem gelado), mas passei a observar melhor essa tribo e as outras que coexistem nesta nossa biosfera.
Já ouvi dizer que calça branca fica bem até no varal, quem disse isso obviamente não conheceu a Tati, mas a Tati também só fica bem “bem longe de mim”, então voltemos as vacas magras! Realmente, tem cada calça branca desfilando por aí, uma mais “cada uma” que a outra, hoje eu observei três modalidades de “calça branca”: A fitness, que parece ser embalada a vácuo, aquela que o Trapinho quando vê desfilando em sua frente diz: Deus é justo, mas essa calça...” Algumas vem até com separador de beiços, deixa a impressão de que você consegue fazer todo o Kama Sutra com o modelo sem precisar tirar o modelito. A calça branca tipo social, que normalmente vem recheada com calcinha fio dental, o grande lance desta calça é exatamente esse, o tecido fica marcado por qualquer coisa que se use por baixo dele, você não vê absolutamente nada mas imagina absolutamente tudo! Por último, o meu favorito. A calça branca transparente, tem umas que você consegue ver a etiqueta interna da calça, “esta é pra acabar!”
Nada contra a calça branca, pelo contrário, mas eu babo mesmo pela “tribo dos vestidos, saias e afins”. Tem de tudo quando é cor, modelo tamanho, tecido, etc... O grande barato é que além de valorizar o corpo (daquelas que tem corpo), deixar a mulher muito mais feminina e sensual (na minha humilde opinião), sem exceção, eles ficam transparentes contra a luz e acaba caindo na mesma deliciosa situação da calça branca, não te deixa ver nada mas você imagina tudo e, pra que algo melhor que a fértil imaginação masculina?
Na mesma onda da tribo do vestido vem a “tribo da calça de pano mole”, essa também quase mata esse Trapo que vos escreve! Algumas deixam você ver até as celulites (e saibam que se a mulher não tiver celulite eu nem olho pra ela!), outras assumem o formato do corpo da mulher, entrando naquelas cavidades que eu tenho vontade de também entrar, inclusive eu acho que se cu tivesse dente a bunda da mulher comeria a calça toda em menos de uma quadra!
E você vê muito também a tribo da “Barbie vai as compras”, a tribo das “não tenho estilo então uso roupa fitness”, a tribo “quero que você pense que sou largada” e as “gatinhas de vileiro” (também conhecidos como “carçudos” ou “os mano”). Mas o fim da várzea mesmo é a tribo das “gordinhas sem noção”! Caríssimos, o que são essas barangas com calça fitness, topzinho e três palmos de uma barriga flácida tremilicando por fora da roupa? Sem contar que essas desgraças sempre dão um jeito de ficar entre você e aquela delícia de "sainha esvoaçante", a qual você tem certeza que vai se levantar ao sabor do vento deixando você realmente ver tudo aquilo que você já estava imaginado a duas quadras atrás. Você está em pleno calçadão da rua XV, andando atrás daquela deusa rebolativa com seu vestidinho indefectível (como diria o Skank), a calda do vestido balançando de um lado para o outro como se estivesse sussurrando “TRA-PO-TRA-PO-TRA-PO” e de repente, surge entre vós, ela, a baranga! Puta merda, porque uma porra dessas não se mata! O interessante da baranga é que ela se acha "A Gostosa", coloca um vestido tubinho, fica parecendo o boneco da Michelin com aqueles pneus sobrepondo outros pneus e sai a desfilar pelas ruas com suas pernas varizentas e bunda parecendo a superfície lunar, só que com o triplo de crateras, ou então coloca um top, uma calça embalada a vácuo de cintura baixa e deixam aquela pança gelatinosa com um umbigo em forma de meia lua a mostra, da impressão que a barriga está sorrindo pra você! Acho que daí surgiu o conceito de que toda gorda é simpática. Será? E ela diz: “Eu não sou gorda, eu sou ossuda! Aham, além de gorda é iludida!!! Aí você me pergunta: “O que a gorda tem que usar?” E eu te respondo: - Tem que usar Diet Shake e esteira por pelo menos seis meses, se não funcionar, use uma burca, se não funcionar, uma bala de 38 na testa deve resolver o problema ou então, o simples, algo condizente com sua condição física! Mas cada um usa o que estiver a fim, não é verdade? Por exemplo, tem homem (e eu me enquadro nessa tribo) que usa tudo de primeira! A primeira cueca, a primeira calça, o primeiro par de meias, a primeira camiseta que viu pela frente ele sai vestindo! Se combinou ótimo, se não combinou, foda-se, para o que eu quero fazer com você preciso estar pelado mesmo!
Mas também tem a tribo dos “reggaes”, o cara sai na rua com a camiseta nas cores da bandeira da Jamaica ou com o retrato do “Bob”, usa cabelo Dreadlucks (popularmente conhecido como dread), fuma maconha e só ouve som rastafari. Para esses eu aconselho a raspar esse bombril da cabeça que isso deve estar cheio de piolho, tomar um banho e parar de fumar maconha por que você realmente não tem tantos neurônios sobrando para se dar ao luxo de queimar alguns com baseado!
A tribo dos “Country” pode ser subdividida em duas, o “country-boy” e o “agro-boy”. É basicamente a mesma merda, o que difere a bosta das fezes é que o country-boy é aquela besta que nasceu em Curitiba, se criou em Curitiba e a única vaca que ele viu na vida foi aquela que o pariu, mas ele gosta de se vestir que nem um cowboy americano, ouvir as músicas de algum corno de Goiás e torrar o saco de todo mundo ouvindo aquelas bostas de música no último volume de sua pick-up (os mais afortunados é claro!). Já o “Agro-boy” é exatamente a mesma merda só que ele é filhinho de um fazendeiro que mandou o orgulho da família fazer faculdade na capital e esse idiota torra a grana do papai dele indo a bar country, bebendo todas e saindo na porrada com quem passar na frente dele. Ele é quase um “pit-boy”... A tribo dos “Pit-boys” é uma das mais comuns nas grandes cidades, eles andam em manada, com suas cabeças raspadas, camiseta colada no corpo pra mostrar que são bombados, braços tatuados, tem orelha de rato por causa do jiu-jitsu (pra quem não sabe, jiu-jitsu é aquele esporte em que dois marmanjos bombados ficam no chão esfregando o saco na cara um do outro, ganha quem ejacular primeiro, coisa de macho!!!) e gostam de ir a baladas dar porrada em quem aparecer na frente!
Outra tribo comum nas grandes cidades é a dos “vileiros ou carçudos ou dos mano”, são criados nos bairros periféricos das grandes cidades até a pré adolescência, já adolescentes, costumam migrar para os shoppings do centro da cidade. Gostam de ouvir “rap-music”, acham que são negros americanos, não tem gosto para se vestir e por não ter grana, só bebem “tubão”. Normalmente são acompanhados pelas vileiras, a mesma descrição só que do sexo feminino, costumam andar em manada e são bastante barulhentos. Na idade adulta costumam virar serventes de pedreiros, mecânicos em oficinas desqualificadas ou motoboys, as meninas viram diaristas ou auxiliar de acabamento em gráficas. O grande problema desta tribo é que eles não se reproduzem, se proliferam! Eu sou a favor do total extermínio desta espécie!!!
Nenhuma tribo é tão nojenta quanto à tribo dos “emos”. Na minha opinião só é EMO de verdade pessoas do sexo feminino, se for do sexo masculino não é emo, é viado! A lógica é simples, se ema é um bicho, emo é uma bicha! Minha senhora, o seu filho usa cabelo caidinho em frente ao olho como uma bichinha, usa brinco e maquiagem como uma bichinha, usa calça justa como uma bichinha, fala com a boca mole e voz afetada como uma bichinha, chora a toa como uma bichinha e ouve NX0, ele não é emo minha senhora, ele é viado! Se ele for trabalhar no circo ele vai engolir espada! Ele quer ser Juiz pra poder trabalhar o dia todo na vara minha senhora! Minha senhora me desculpe dizer, mas essa coca é fanta! Também deveriam ser exterminados.
E aí você vê tribos de surfistas, (mesmo que a praia mais próxima de Curitiba fique a cerca de 100 km de distância), tribos de punks, góticos, roqueiros, skinheads, etc... Mas hoje achei algo que não consegui classificar, em plena Boca Maldita passei por uma figura de cabelo relativamente comprido, sem camiseta, de bermuda jeans aberta e a cueca baixa mostrando os pentelhos! Foi a primeira vez nos meus mais de trinta anos que vi em nossa cidade algo pior que o oilman! (Ambos deveriam ser exterminados).
O interessante das tribos é que você encontra um pouco de cada uma delas andando de ônibus, inclusive pequenas amostras de Barbies ou Pseudo-Barbies. Preciso pesquisar melhor pra saber se realmente as Barbies são raridades dentro dos ônibus ou se são as barangas que ficam no campo de visão. Hoje por exemplo vi quando entrou no “Santa Cândida – Capão Raso” um belo pedaço de carne, mas quase que instantaneamente uma baranga-varizenta se interpôs entre mim e a delícia, praticamente esfregando o sovaco mal depilado em meu rosto, o que me faz pensar em duas coisas, a primeira é, quando você pergunta a um homem qual a primeira coisa que ele vê numa mulher as respostas variam em rosto, olhos, seios... Mentira, se você anda de ônibus, a primeira coisa que você vê numa mulher é o sovaco! Se você gostar do cheiro e da “depilação sovacal” você vai partir para os olhos, rosto, seios, blá blá blá... A segunda coisa é, não sei como é que pode, toda baranga gorda e varizenta tem o sovaco mal depilado, parece que todas elas passaram a gilete na sovaqueira três dias atrás! Será proposital? Vida que segue... E agora de ônibus, portanto, depilem bem as axilas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Filhos de Pandora

Nesse momento o enjôo se torna insuportável, corro até o sanitário e sinto meu estômago virando no avesso enquanto jatos de uma gosma esverdeada saem por meu nariz e boca, sinto uma mão tocando meu ombro e uma voz me diz “vai passar”, no som ambiente de um banheiro todo recoberto em mármore preto ouço a inconfundível voz de Roberto Carlos cantando que, “daqui pra frente tudo vai ser diferente...” Acordo com o som da explosão de um rojão, a penumbra do meu quarto é constantemente quebrada pelo clarão seguido das explosões festivas dos fogos de artifícios. Tento me situar por alguns segundos, esse pesadelo tem se repetido desde meados de dezembro, eu sei o que ele significa, o enjôo, o vômito, a ansiedade de não saber como serão as coisas de agora em diante. Pela primeira vez na minha vida adulta... eu tenho medo...
Olho no relógio, falta algumas horas para meia noite e nas cercanias onde moro um frenesi já tomou conta dos moradores, gritos inflamados, música alta, fogos e mais fogos de artifícios pipocando no céu, explodindo com boa parte do décimo terceiro salário de um povo que passa o ano inteiro reclamando que falta dinheiro para melhorias na casa, para o material escolar das crianças, para os prazeres simples de um churrasco com os amigos.
Meia noite, a cidade explode em comemoração, na tv uma música diz que “o futuro já começou” e o cheiro de enxofre e potássio infesta o ar. Eu me ponho a pensar, num tempo onde todo mundo está preocupado com o planeta, onde se fala “vamos parar de produzir sacolas plásticas” (desconsiderando a situação de milhares de almas que tiram seu sustento e o sustento de seus entes desta gigantesca indústria) por que plástico polui o meio ambiente, vamos usar papel reciclado para derrubar menos árvores, vamos parar de queimar combustível fóssil, etc... Será que ninguém se deu conta da quantidade de gases como monóxido de carbono, enxofre, potássio, etc. são emitidos desnecessariamente pela queima de fogos de artifício? A poluição que o resto de bombas e foguetes jogadas nos cantos das ruas são menos significativas que o pedaço papel que o cidadão sem escrúpulos e educação joga nas ruas nos outros 364 dias do ano? O papel dessas bombas e foguetes, as varetas dos rojões, isso não vem também de árvores derrubadas? Meia noite e dois – depois das trocas de abraços entre familiares e os desejos de que, num passe de mágica, tudo vai ser diferente, que tudo vai melhorar, que tudo de ruim ficou para trás e agora só virão coisas boas, pois, “o futuro já começou”, entramos na era da magia onde todos os desejos serão realizados num passe de mágica já que uma coisa extraordinária aconteceu, o relógio passou de 23:59.59 para 0:00, (como se isso não acontece todos os dias) – o vizinho que não te olhou na cara o ano todo grita, “feliz ano novo vizinho”! E como manda a boa educação, ergo meu copo de refrigerante e entre dentes digo, “Vai tomar no meio do cu!” Vindo do meu lado direito, recebo um tapão na cabeça desferido por minha mãe enquanto do lado esquerdo meu irmão se mata de dar risadas, algo similar ao anjinho e a diabinho que aparecem nos ombros dos personagens de desenho animados. Meia noite e três, aparecem as primeiras crianças pedindo “boas entradas de ano novo”, no meu peito explode a vontade de gritar “Boas entradas de ano novo de cu e rola seu fedelho filho da puta, ano que vem peça para o teu pai não torrar todo o décimo terceiro dele em foguetes e bebidas que você não vai precisar sair de madrugada na rua pedindo esmolas”. Ao invés disso, dei as costas e resolvi olhar meu “labradoido” que curiosamente, estava sentado na grama do quintal observando os fogos que teimavam em explodir nos céus sem latir, correr ou pular tentando caça-los como fez nos anos anteriores, será sinal dos tempos? Será que ele está amadurecendo? Será que “o futuro já começou?” Dia 02 de janeiro, resolvo ler um jornal, tentando enxergar as novidades deste futuro que havia chegado ontem! Nas manchetes, destaques para o vai-e-vem de jogadores e técnicos de futebol (mas isso não acontece todo o ano e o ano todo?), a persistente crise econômica (desde quando isso é novidade?), no oriente médio explode outra guerra (ou a mesma guerra?), a comunidade européia em polvorosa, exigindo um cessar fogo (não por causa das centenas de civis, entre eles mulheres e crianças, vitimas inocentes do flagelo de todas as guerras, mas porque, aparentemente, essa guerra vai atrasar a retomada do crescimento econômico mundial), mas sem coragem de tomar uma posição ou uma atitude que de números finais a essa matança. Mas espere aí, guerra no oriente médio? Desde quando isso é novidade? Então, se nada muda, o que justifica essa crença que o povo trás consigo de que, por um novo ano estar começando, tudo vai melhorar?
*** Grécia Mitológica, ano desconhecido, usando o fogo que fora roubado de Hefesto por seu irmão Prometeu, Epimeteu observa com os demais “proto-homens” o fruto de sua caça assando lentamente em sua fogueira, próximo dali, a romper a neblina surge um vulto, uma silhueta jamais vista antes, Epimeteu levanta uma tocha para ver melhor aquele presente dos deuses, ela, Pandora, (que havia sido criada pelos deuses a imagem e semelhança das mais belas deusas do Olimpo, com o dom da dança, da doçura e da sedução, mas que carregava em seu coração a mentira, a perfídia, a enganação, para que fosse a semente da discórdia e a desgraça dos homens) desfilava nua em sua direção. Linda, leve e loira com seus seios fartos (nada pessoal Neguinha) e firmes (desculpa aí você também Magrela), quadril largo, pernas grossas... ela parecia flutuar. Neste momento Epimeteu quase explodiu dentro das calças, correu em direção dela e disse “gata, você está demais essa noite”, ela, safada que só, lascou-lhe um beijo na boca fazendo Epimeteu melar a cueca. Prometeu já tinha avisado seu irmão para não aceitar nenhum presente dos deuses, mas Epimeteu como bom homem que era pensou com a cabeça de baixo e levou Pandora para sua caverna. Para se exibir um pouquinho, mostrou sua coleção de relógios suíços, sua tv de 54” e tela de lcd, seu dvd blue-ray, e por último uma caixa que havia ganhado de Zeus e que continha todas as coisas bendigas. Pandora, como toda mulher, queria pegar a caixa, pois mulher tem que ver tudo com as mãos, ele permitiu, mas deixou avisado que sob nenhuma circunstância a caixa deveria ser aberta. Pobre homem, não sabia nada sobre mulheres! Dois minutos depois da transa, o proto-homem já roncava ao lado de sua bela que, ávida por descobrir os segredos de seu novo amor, abriu a caixa (provavelmente pensando que ali tivesse uma agenda secreta com os telefones daquelas vagabundas com quem ele costumava sair antigamente) deixando escapar todas as coisas boas, ficando lá dentro somente aquela pamonha, burra, retardada, tetraplégicas e sem noção! A Esperança, condenando a todos nós, seres viventes, se foder a vida toda, mas sempre mantendo a esperança que no futuro as coisas vão melhorar! *** Segunda-feira, dia 05 de janeiro de 2009, recebo pelo correio o novo carnê do IPTU com reajuste de 11% em relação a 2008. Agora sim, o futuro realmente começou... Vida que segue...

domingo, 5 de outubro de 2008

Leis...

Você conhece a música “Check-up” de Raul Seixas? Então, parafraseando Raulzito, “acabei de dar um check-up geral na situação o que me levou a reler Alice no País das Maravilhas...”
Algumas semanas atrás estive em São Paulo (odeio aquela cidade), a barulhenta, fétida, feia, desagradável, violenta e desorganizada São Paulo. Perdido por lá (literalmente), parei num ponto de táxi para perguntar de determinado endereço, enquanto um parvo taxista tentava me indicar uma rota, outros dois conversavam sobre política e acabei ouvindo a seguinte frase: “A Martha Suplicy já está estourada na frente!”... Mente deturpada como a minha não perde tempo nessas horas, lembrei da cara e do jeito da Marta e já imaginei como ela deve estar realmente estourada na frente, atrás, no umbigo, na orelha, etc... etc... etc...dei uma olhada ao redor, vi o trânsito paulistano, caótico como sempre, li uma placa que proibia o tráfego de motos entre os carros, vi os motoqueiros transitando por entre as filas de carros, buzinando sem parar e chutando os espelhos retrovisores daqueles que não estavam colados ao meio-fio, ou guia, como eles o chamam. Pensei, se essa cidade é uma zona, por que não eleger como prefeita uma puta? Pois, já que é para foder, melhor que seja com uma profissional! E como dizem por aí, "vamos votar nas putas já que nos filhos delas não tem dado certo." Agora falando sério, como é que pode um povo ser tão idiota como o paulistano? Eles já elegeram e re-elegeram sei lá quantas vezes o Maluf, inúmeras vezes envolvido em escândalos de corrupção, elegeram o Pitta, e essa senhora (já por tantos e tantas vezes estourada) foi criticada enquanto prefeita até pelo próprio filho, o “grande” Supla. Mas como eu quero mais que São Paulo e os filhos daquela terra se fodam! Longa vida a família Suplicy! De volta à fria e úmida Curitiba, não consegui parar de pensar em motoboys arrancando espelhos dos carros em São Paulo, e passei a observar melhor os pequenos delitos, os pequenos desrespeitos as leis que, de tão corriqueiros, passam a ser encarados como normais por todos nós. Comecei a ver a “esperteza” daqueles motoristas que não entram na fila para conversão ou retorno, ultrapassando todo mundo por fora, o motoqueiro que ultrapassa todo mundo pela calçada, enfim, essas coisinhas do cotidiano de toda grande cidade, parei na frente da tv para ver a reportagem sobre um motorista de 18 anos que embriagado, atropelou 5 pessoas que estavam no ponto de ônibus no Jardim Botânico. Segundo estatísticas da PM do Paraná, depois da controversa “Lei Seca” acidentes de trânsito diminuíram em 25%. Isso é bom, eu mesmo aderi a essa lei. Não posso mais beber e dirigir? Não tive dúvidas, vendi meu carro! Mas daí estou eu de carona com meu irmão, quando no semáforo ao nosso lado para um celtinha branco com duas meninas em idade universitária, com os vidros abaixados, som alto, altas risadas, fumando um “bagzinho”, uma “perninha de grilo”, um “fininho” um INOCENTE baseado. Peraí, gritou o diabinho que fica sobre meu ombro esquerdo (no direito fica um anjo, mas confesso, não dou muita atenção à ele), nós não podemos beber uma cervejinha e dirigir e essas vadias podem dirigir fumando um baseado? Será que esse baseadinho inocente não terá o mesmo efeito nos reflexos desta condutora que duas tulipas de chope? E aqueles que cheiram cocaína e saem dirigindo? Claro, que cocaína nem faz mal, ela até corta o efeito do álcool (Já tive que ouvir esse absurdo!), inclusive, a pessoa só se vicia em cocaína porque ela “nem dá nada”! (e esse absurdo também, perguntei se “já que nem dá nada” então por quê você usa? ** SILÊNCIOOOOO **). Daí a mente viaja para mundo da imaginação mais uma vez. Churrasquinho entre amigos rolando:
Anfitrião: - Vai mais uma “béra” aí?
Convidado: - Não brother, agora vou ficar na branquinha!
Anfitrião: - Ah, então você vai querer uma cachacinha?
Convidado: - Não não, uma cocaína mesmo, tenho medo de cair numa blitz e ser pego pelo bafômetro!

Tolerância Zero deveria ser para tudo. Você pode ser preso como interceptador se for pego comprando ou portando artigos roubados. Porque então o usuário de drogas, que está portando um “ilícito” não é preso? Para mim o paralelo é obvio. Diz a lei que não se deve confundir usuário com traficante, concordo, mas se ele é “cliente” deste traficante o usuário está sendo no mínimo cúmplice do tráfico. Mas deixa para lá, não adianta tentar martelar em ferro frio...
Na gráfica para qual presto serviços, fizemos milhares de panfletos, santinhos, adesivos, etc., para um determinado candidato a prefeito. Normal? Sim, seria, se esse cara não fosse empregado do atual governador, que, mesmo apoiando o candidato de seu partido, deu autorização para seu funcionário se afastar do cargo e ser adversário de seu candidato. Democracia? Vai ter essa sorte! Conversando com um assessor deste candidato, fiquei sabendo que a idéia era tirar o máximo de votos possível do candidato a re-eleição, para tentar obrigar um segundo turno e aí, todos os candidatos apoiados (oficialmente e extra-oficialmente [extra-oficialmente eram mais de um]) pelo governador, dariam apoio à “Marta Suplicy das Araucárias” para tentar desbancar o atual prefeito. Ético? Me responda você!
Ainda na parte política, o T.R.E. fiscaliza (ou deveria fiscalizar) as impressões de materiais destinados a propaganda política. Todo candidato tem um CNPJ cujo número deve constar nos materiais impressos junto com o CNPJ da gráfica e a tiragem deste material. Justo? Claro que sim! Funciona? Claro que não, o candidato pede 200.000 (duzentos mil) impressos, sai na nota fiscal e no impresso que a tiragem foi de 20.000 (vinte mil) a gráfica ganha sonegando impostos, a candidato ganha produzindo muito mais impressos do que o declarado, as árvores são assassinadas aos milhares para a produção de papel e nossa cidade fica imunda no dia da eleição como você pode verificar na frente de sua casa hoje. Existe no Brasil alguma lei que funcione?
“Duas horas da manhã recebo nos peito um TRIPTANOL 25
e vou dormir quase em paz.
E a chuva promete não deixar vestígios.”

É mestre Raul, vida que segue...